segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Um poema para hoje


O Ruído do Silêncio

Fechem a porta devagar,
Não perturbem o ruido do silêncio
Que me conforta e embala.
Descalcem-se, caminhem sobre as nuvens
Deslizando em espaços tranquilos
Sem sombras de inquietude.

Apaguem as luzes
Que me ferem a retina
E impedem que adormeça.
Sozinho, contemplo as vertentes
De montes imaginários.
E sigo por aí sem atropelos.

E à noite, a companhia das estrelas
Ilumina os meus passos
E oferece-me a doce melodia dum percurso
Rumo a sonhos por sonhar.

Aníbal José de Matos (Figueira da Foz – Portugal) Fevereiro de 2012

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Um poema para hoje


Zimbórios da Esperança

Zimbórios da esperança,
torreões onde vagueia o meu espírito,
ameias e merlões desmantelados
que sugerem a escalada!

Zimbórios da esperança,
muros onde as mãos do desespero
se rasgam em esgares de vã renúncia
imaginando ninhos de vampiros!

.................

Retrato a corpo inteiro desta vida,
Zimbórios de esperança
que sonhei um dia conquistar!

Aníbal José de Matos (Figueira da Foz - Portugal) - 1979

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

55 MIL

55 MIL !!!

"Poesia", um blogue criado por mim em 18 de novembro de 2008, completa hoje a bonita soma de 55 mil visitas.
A todos, apreciadores desta variante da literatura, o meu muito obrigado.
Aníbal José de Matos

Um poema para hoje


A Uma Mulher

Joelhos em terra, aquele vulto escuro
Todas as tardes, àquela mesma hora,
Chora junto à campa aquele amor tão puro
Que no seu peito eternamente mora.

Relembra tantos anos de ventura
Sonhada para uma eternidade
Que mesmo além da morte 'inda perdura
A lembrança de tanta felicidade.

São lágrimas sentidas, que choradas
Pela perda de horas já passadas
Num mundo a dois tão cedo interrompido,

Vão queimando aqueles olhos de mulher
Que junto a si um dia viu morrer
A única razão de ter vivido!

Aníbal José de Matos (Figueira da Foz - Portugal) - 1978

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Um poema para hoje


Mais além

O sofrimento faz parte integrante duma vida,
A alegria é um acidente na caminhada
Em direção a um horizonte perdido.
As lágrimas são o escape
De quase permanente chamamento
Aos degraus das intermitências.

A vida é um bem ou mal que se adquire
Sem que contribuamos para tal,
Mas exige que cumpramos
As determinantes de linhas traçadas.
Viver é julgarmos que existimos
Como se nada houvesse para depois.

Caminhar é seguir passos conseguidos
De quem vê muito mais além.

Aníbal José de Matos (Figueira da Foz - Portugal) Maio 2010

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Um poema para hoje

Torrentes de alma

Torrentes de alma desabam sobre alguém
Que não sustém tristezas nem angústias.
São lágrimas de sangue que percorrem
Trilhos sofridos, magoados.
E o sol esconde-se fingindo ignorar
Que a sombra deixou de projetar-se.

Descalços, há pés que correm sobre o frio
De madrugadas tingidas de cinzento,
Enquanto lágrimas completam o cenário
De vidas que não chegam a despontar.
E o sol teima em não surgir
Para estancar um choro convulsivo.

Aníbal José de Matos (Figueira da Foz – Portugal)
Fevereiro de 2012.



segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Um poema para hoje

Dúvida

Montanhas de dispersão,
Percursos de exclusão,
Caminhos de atrocidade,
Planaltos de loucura,
Momentos de esquecimento
Mas por demais prolongados
Sem rota nem soluções
Numa vida de incertezas!

Rumos em trilhos sem rumos,
Destroços desencontrados,
Vidas atormentadas
Sem razões e sem limites.
Que futuro, que tormentas,
Que encontros descontrolados!
Que esperas para quem procura
Horizontes cor de rosa?

Aníbal José de Matos (Figueira da Foz – Portugal), Fevereiro de 2012

 
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