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O Ruído do SilêncioFechem a porta devagar,Não perturbem o ruido do silêncioQue me conforta e embala.Descalcem-se, caminhem sobre as nuvensDeslizando em espaços tranquilosSem sombras de inquietude.Apaguem as luzesQue me ferem a retinaE impedem que adormeça.Sozinho, contemplo as vertentesDe montes imaginários.E sigo por aí sem atropelos.E à noite, a companhia das estrelasIlumina os meus passos E oferece-me a doce melodia dum percurso Rumo a sonhos por sonhar.Aníbal José de Matos (Figueira da Foz – Portugal) Fevereiro de 2012
Zimbórios da EsperançaZimbórios da esperança,torreões onde vagueia o meu espírito,ameias e merlões desmanteladosque sugerem a escalada!Zimbórios da esperança,muros onde as mãos do desesperose rasgam em esgares de vã renúnciaimaginando ninhos de vampiros!.................Retrato a corpo inteiro desta vida,Zimbórios de esperançaque sonhei um dia conquistar!Aníbal José de Matos (Figueira da Foz - Portugal) - 1979
55 MIL !!! "Poesia", um blogue criado por mim em 18 de novembro de 2008, completa hoje a bonita soma de 55 mil visitas.A todos, apreciadores desta variante da literatura, o meu muito obrigado.Aníbal José de Matos
A Uma MulherJoelhos em terra, aquele vulto escuroTodas as tardes, àquela mesma hora,Chora junto à campa aquele amor tão puroQue no seu peito eternamente mora.Relembra tantos anos de venturaSonhada para uma eternidadeQue mesmo além da morte 'inda perduraA lembrança de tanta felicidade.São lágrimas sentidas, que choradasPela perda de horas já passadasNum mundo a dois tão cedo interrompido,Vão queimando aqueles olhos de mulherQue junto a si um dia viu morrerA única razão de ter vivido!Aníbal José de Matos (Figueira da Foz - Portugal) - 1978
Mais alémO sofrimento faz parte integrante duma vida,A alegria é um acidente na caminhadaEm direção a um horizonte perdido.As lágrimas são o escapeDe quase permanente chamamentoAos degraus das intermitências.A vida é um bem ou mal que se adquireSem que contribuamos para tal,Mas exige que cumpramosAs determinantes de linhas traçadas.Viver é julgarmos que existimosComo se nada houvesse para depois.Caminhar é seguir passos conseguidosDe quem vê muito mais além.Aníbal José de Matos (Figueira da Foz - Portugal) Maio 2010
Torrentes de almaTorrentes de alma desabam sobre alguémQue não sustém tristezas nem angústias.São lágrimas de sangue que percorremTrilhos sofridos, magoados.E o sol esconde-se fingindo ignorarQue a sombra deixou de projetar-se.Descalços, há pés que correm sobre o frioDe madrugadas tingidas de cinzento,Enquanto lágrimas completam o cenárioDe vidas que não chegam a despontar.E o sol teima em não surgirPara estancar um choro convulsivo.Aníbal José de Matos (Figueira da Foz – Portugal)
Fevereiro de 2012.
DúvidaMontanhas de dispersão,Percursos de exclusão,Caminhos de atrocidade,Planaltos de loucura,Momentos de esquecimentoMas por demais prolongadosSem rota nem soluçõesNuma vida de incertezas!Rumos em trilhos sem rumos,Destroços desencontrados,Vidas atormentadasSem razões e sem limites.Que futuro, que tormentas,Que encontros descontrolados!Que esperas para quem procuraHorizontes cor de rosa?Aníbal José de Matos (Figueira da Foz – Portugal), Fevereiro de 2012
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