sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Um poema para hoje


 
Ifan tão an!
(Poema de memórias)
 
Esmagado pelo ruído do silêncio,
Por imensos decibéis de solidão,
Atravesso um deserto de contrastes
Em que a vida se desbobina como um filme
Em rodagem permanente e insensível,
E constantes sons de claquete,
À espera do “corta” diretivo.
 
E a infância surge no ecrã
Envolta no sorriso da inocência.
 
Mi Choá, mi Choá,
Um cijá pró pai fumá.
 
E o percurso surge sem agruras,
Com beijos e abraços à mistura
De gentes que enchem doce lar
Em que o amor é uma constante
Trazida por mil braços de carinho.
 
Como ele está crescido; faz-nos velhos!
 
Corre, corre, vem depressa, olha o comboio.
Pouca-terra, pouca terra.
E o silvo sibilino
Soa no imenso vale num esfusiante grito.
 
Mas como aos meus ouvidos é sublime o seu trinado,
Melodia na alma da criança.
E aceno p’ra mil rostos com destino,
Num mundo a percorrer veloz
Carris e sulipas de esperança
Envolto em cores de arco-íris,
Sobre um Dinha calmo e ternurento.
 
Pouca-terra, pouca-terra!!!
 
E à nossa porta uma carroça ronceira
Desfila no caminho sobre pedras
Que se soltam à passagem de rodas ferrugentas.
A voz do Adelino clama entre pinhais,
E eu embarco encantado rua abaixo
Passando pelo Torno da saudade.
Eixe cabano.
Lá vai ele numa labuta constante e dolorosa.
 
Mas comigo vai o sorriso que abarca
Um incontável mundo de horizontes.
 
A paz regressa ao vale.
 
E ao longe ouço hinos de louvor
Oriundos de uma casa de oração.
“Mestre, o mar se revolta,
As ondas nos dão pavor.
Sossegai, sossegai”
 
Vidas com percalços e angústias,
Saudades, perdas e encontros,
Veredas transpostas com agruras
Mas muitos salpicos de doçura.
 
E há sempre na vida uma Maria,
Que nasce das teclas dum órgão
Que envolve minha alma.
 
A cidade tem momentos de cor fantasiosa,
E uma Avó que estraga com mimos e encantos.
 
Vó, qui ifan tão an!
Vó tem mê?
Meni não tem mê não.
 
E o gigante passeia na calçada
Entre aplausos e faces risonhas de surpresa.
 
Qui ifan tão an!!!
 
É um desfilar na mente,
É um perpassar constante de figuras
Ternas e saudosas.
É a um tempo um misto de lágrimas e sorrisos
Um relembrar de um tempo em que os amplexos
Queimavam por amor.
 
Qui ifan tão an!!!
 
…………
 
Voaram esses tempos e os ventos.
 
E entre o ensurdecedor ruído do silêncio,
A solidão abre a porta de mansinho
E vem afagar-me o rosto,
Beijar as minhas mãos,
E dizer-me num sussurro:
 
Não tenhas medo.
Tu não estás só
Porque vou ficar contigo.
 
………
 
Eu sei que tenho Deus a controlar a minha solidão
Neste ensurdecedor ruído do silêncio.
 
Aníbal José de Matos
(Poema escrito e lido pelo autor numa tarde cultural, na Igreja Evangélica Figueirense, em 6 de dezembro de 2014)
 
 
 
 
 

sábado, 20 de dezembro de 2014

Natal 2014




 
 
FELIZ NATAL

Een Plesierige Kerfees

Gëzuar Krishtlindja

Frohe Weihnachten / Fröhliche Weihnachten

Gleckika Wïanachta

Merry Christmas / Happy Christmas

Milad majid

Nor Dari yev Pari Gaghand

Eguberri on

Vesele Vanoce

Boas Festas

Nedeleg laouen na bloavezh mat

Tchestita Koleda

Bon Nadal

Feliz Navidad

Gun Tso Sun Tan'Gung Haw Sun

Kung His Hsin Nien bing Chu Shen Tan

Sung Tan Chuk Ha

Natale allegre

Jwaïeu Nouel

Jwaye Nowel

Jénwèl

Sretan Bozic

Glædelig jul

Jutdlime pivdluarit ukiortame pivdluaritlo

Feliz Navidad

Gajan Kristnaskon

Roomsaid Joulu Puhi

Hyvää joulua

Joyeux Noël

Nadolig llawen

Kala Christouyenna

Mele Kalikimaka

Mo'adim Lesimkha. Chena tova

Shub Naya Baras

Boldog Karácsonyt

Selamat Hari Natal

Buon Natale / Gioioso Natale

Nodlaig mhaith chugnat

Buone Feste Natalizie

Shinnen Omedeto / Kurisumasu Omedeto

Natale hilare

Assegass amegass

Souksan van Christmas

Priecigus Ziemassvetkus

Linksmu Kaledu

Schéi Krëschtdeeg

Tratran'ny krismasy

LL Milied Lt-tajjeb

Meri Kirihimete

Een vrolijk Kerstfeest

Gledelig Jul

Noël mobaràk bâde

Wesolych Swiat

Bòn nové

Un Crãciun fericit

Pozdrevlyayu s prazdnikom Rozhdestva

Ia manuia le Kerisimasi

Sretan Bozic

Vesele vianoce

Dobro dedek

Glad Yul

Prejeme Vam Vesele Vanoce

Souksaan wan Christmas / Merry Christmas

Mutlu yýllar

Srozhdestvom Kristovym

Chung Mung Giang Sinh

Nadolig Llawen

Cestitamo Bozic

 

 

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Um poema para hoje



O fim das ilusões

 

As ilusões demitem-se
E afogam-se no mar da realidade.
Os sonhos evaporam-se
Entre as mágoas da verdade,
E os fantasmas surgem em afronta
Às fantasias inventadas.

 
É inútil fugir.
O preço da angústia paga-se no momento
Em que as nuvens se afastam
Para dar espaço aos medos mal contidos.

 
Aníbal José de Matos - Figueira da Foz – novembro de 2014

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Um poema para hoje


De volta!

Das penedias sopra o calor do vento,

A aragem benfazeja do espírito,

O renovar das energias,

O sabor agridoce da montanha,

O perfume voluptuoso do amor,

O saudável amplexo do verde pinho.

 

O reflexo da história,

O ardor de batalhas sem temor.

A entrega, a dádiva, os extremos

De vidas persistentes na conquista,

O desejo de ir mais longe,

Em busca de trilhos mais distantes.

 

Ouço as trombetas da alvorada,

Em neblinas com sombras estridentes,

É Tondela que abre alas ao futuro,

Que abraça os rasgos do horizonte

E desfralda as bandeiras da vitória.

É o orgulho de passos bem cuidados.

 

E de volta a esta terra de Besteiros,

A minha outra mãe de terno olhar,

Recordo com saudade estes caminhos

Com a nostalgia de quem tem a certeza

De que os regressos se quedam espaçosos

À medida que os cabelos embranquecem.

 

Aníbal José de Matos

 

Tondela, 29 de abril de 2014

terça-feira, 15 de abril de 2014

Antologia



POESIA:
VIRTUALMENTE,
DA FIGUEIRA PARA O MUNDO

 
 
O livro eletrónico “Antologia de Poetas Figueirenses (1875-2013)”, editado pela Câmara Municipal da Figueira da Foz através da sua Divisão de Cultura e apresentado publicamente no passado dia 20 de março, reúne mais de seis dezenas de textos de 32 autores nascidos ou radicados neste concelho, desde o último quartel do século XIX até este há pouco iniciado. Primeira publicação municipal em formato e-book, a antologia pode ser lida através de diversos meios digitais, do computador pessoal a qualquer iPad ou tablet e está neste momento acessível em 71 países.
Recordamos que este livro virtual se encontra também no site municipal Figueira Digital, podendo ser diretamente acedido pelo link http://www.figueiradigital.com/municipe/?mid=209 .
 
A Divisão de Cultura informa ainda que, de acordo com o departamento latino-americano das lojas Apple on-line, foi já realizado um número significativo de downloads da “Antologia(…)” naquela região, nomeadamente no Brasil, Argentina, Equador e México.

 
 
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