terça-feira, 24 de maio de 2011



Porto de abrigo

Percorrer caminhos rectilíneos
Sem encruzilhadas que obstruam minha mente,
Sem ladeiras nem paredes que travem meu sentir,
Quiçá um desejo sem nexo
Que se estende num rol de enigmas.

Encontrar o almejado porto de abrigo
Com portas à mercê dos meus passos
E deparar com a lareira
Do calor do teu abraço.

Sonhos acalentados sem dormir
No espaço reservado à minha dor,
Porque só a noite permite
Metamorfoses à minha escala.

Quero encontrar-te custe o que custar
Nem que para tanto
Tenha de percorrer o espaço
Que parece intransponível.

Aníbal José de Matos

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Florbela Espanca

Hora que passa


Florbela Espanca


Florbela Espanca (Flor Bela Lobo de seu nome), poetisa portuguesa, nascida em Vila Voçosa a 8 de dezembro de 1894, suicidou-se em Matosinhos em 8 de dezembro de 1930, precisamente no dia em que completou 36 anos e na véspera do lançamento do seu livro Charneca em Flor.

Entre muitas obras, escreveu Livro de Mágoas, Livro de Soror Saudade, Charneca em Flor, Dominó Preto, As Máscaras do Destino e Diário.




terça-feira, 10 de maio de 2011

Dia das Mães


Para ti, Mãe

Sabes o que me entristece
E em que medito tanta vez
Nas minhas noites de insónia?
O que me aflige a alma
E me arrefece as entranhas
E me rouba a lucidez?

Sabes porventura quanto choro
E recordo com saudade
Os teus dias, minha Mãe?
Como regressa aos meus olhos
O calor do teu regaço
Quando era uma criança?

Tu preenches os meus sonhos
Em que me sinto carente
Do ardor do teu afago.

Mais do que toda a amargura
De perder o teu amor
É ter-te visto partir
Incapaz de te valer
Naquela manhã tão triste
Em que te perdi, minha Mãe.

Aníbal José de Matos (Figueira da Foz - Portugal)


Poesia lida por uma irmã em Cristo, no culto comemorativo do Dia das Mães, na Igreja Evangélica Presbiteriana Figueirense (Figueira da Foz)

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Aníbal José de Matos



Regresso






Vê como adormece o Sol no horizonte
Na almofada do poente repetido,
Os pássaros se recolhem ansiosos
Escondendo-se entre a folhagem
Da noite que pressentem insegura.

Repara como o dia traz a luz
Que fugitiva se escondera no ocaso,
E as aves se agitam novamente
Na alegre surpresa do regresso
Do astro que ontem se ocultara.

Aníbal José de Matos (Figueira da Foz - Portugal)

domingo, 24 de abril de 2011

Ibeane Campos Moreira



Páscoa de Alegria




Páscoa de alegria.
Mas teve sofrimento
O maior homem do mundo.
Sacrificou para não ver
Você sofrer.
Páscoa é aleluia,
Páscoa é ressurreição,
Páscoa é amor,
Páscoa é renascimento,
Páscoa é passagem.
Páscoa.
Tantos passam
Mas não vivem
Não conhecem esse senhor!
Páscoa é atitude:
Acolher;
Ser;
Reconhecer;
Espalhar a luz do Cristo
Vivo e ressuscitado.
Páscoa é motivo
Da razão de viver...




Ibeane Campos Moreira


IBEANE CAMPOS MOREIRA , brasileira, poetisa, pedagoga, especialista em serviço social, residente em Nova Brasília – Baía, um pequeno distrito de Ribeirão do Largo.

sábado, 23 de abril de 2011

Gilson Lira



SÁBADO DE ALELUIA



Hoje já é um sábado santo,
não é mais dia de pranto.
Tudo não passou de uma provação
que acabou na ressurreição.

Tudo não passou de um momento
em que Jesus superou o sofrimento.
Tudo não passou de um túmulo frio,
que instantes depois ficou vazio.

Tudo não passa de lágrimas que secam,
de pessoas arrependidas que oram
em busca da salvação.

Tudo não passa de uma passagem,
tudo não é mais que uma mensagem
que traduz a Ressurreição.

Gilson Lira

Gilson Lira é natural de Natal (RN) – Brasil - , passou a sua infância em Cachoeiras de Macacu (RJ) e reside em Rondonópolis desde 1973.

sábado, 16 de abril de 2011

Aníbal José de Matos

Tempo


Chorar o turbilhão das almas


Que esqueceram o tempo de regresso,


É parar no cotovelo


Das esquinas que ruíram.


Lamentar as paredes que caíram


Porque não tivemos a força


Que embrulhasse os pedaços


Num pranto sem nós e sem destino,


É parar no tempo


E pedir o sinal que não existe.




Porque a estrada é mais além,


Na curva de encruzilhadas.



Aníbal José de Matos (Figueira da Foz - Portugal)
 
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