sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Um poema para hoje

Não desistas
 
Soterrado por espinhos,
Vergado por ventanias,
Lançado às feras da v ida,
Sem esperanças nem vislumbres,
Assim vais no tempo em busca
Dos nadas que te atormentam.
 
Nas cercanias da terra
Onde as angústias te minam,
Sonhas com horizontes
Que se apagaram no poente
Da esfera em que deslizas
Rumo ao teu infinito.
 
E voltarás mais robusto
Com armaduras na fronte.
 
Aníbal José de Matos (Figueira da Foz – Portugal)

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Um poema para hoje

À memória de Carlos Paião
 
 
 
“Tão cedo desta vida…”
Deus te levou para lá das nuvens,
Pouco depois de Artista Reformado!
Será que a Cegonha
que os bebés vinha trazer
ainda te vê
Tal como Lá Longe, Senhora?

Chorou por ti a Cinderela
Que cantaste rodeado de crianças
A viver esperanças,
Em inesquecíveis Versos de Amor !

O palco quedou-se mais vazio,
Ao teu calor seguiu-se o frio,
A cortina desceu sobre a ilusão.

Perdeu-se um médico
Rendido ao espaço cénico.

Para Paião foi curta a vida,
E o público clama:
Há quanto tempo te não vejo por aí!

Aníbal José de Matos – Figueira da Foz - Portugal

(O artista Carlos Paião, natural de Coimbra, morreu num acidente de viação em 26 de agosto de 1988. Contava apenas 30 anos)

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Um poema para hoje

Derrocada

Caminhos percorridos entre abismos,
Veredas solitárias
E medonhas ribanceiras
Onde a morte espreita e o amor se esconde.

Trilhos de miséria e de abandono,
Paredes que isolam e desencantam
Os que ainda acreditam em verdades
Ameaçadas por mentiras disfarçadas.

Dos arbustos surgem incríveis mascaradas
Como embustes a tingir dum negro atroz
Os sonhos irreais e as quimeras
De quem ainda confia nos atalhos.

Aníbal José de Matos (Figueira da Foz – Portugal – Janeiro de 2013)

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Um poema para hoje

Mais um ano, mais um dia
Mais um ano, mais um dia,
Mais uma volta na vida,
Um passado no presente
Num futuro permanente
E uma ansiedade constante.
 
Tempo que passa vertendo
As torrentes de amargura
Dum pesadelo que aponta
O dia que já não tarda.
 
Aníbal José de Matos – Figueira da Foz – Portugal -
31 de dezembro de 2012 -

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Natal

(Medalha da autoria de David Oliveira)
 
NATAL SIMPLES
 
Corre o tempo, corre o vento, corre o mar,
Corre a vida repartida de emoções,
Corre a esperança e o sentimento de querer
Que a paz nos invada os corações.
 
 
Dois mil anos se passaram !
Será que a mensagem se perdeu ?
Será que os homens não mudaram
E a nossa alma quase arrefeceu ?
 
 
Será que foi em vão que Deus nos deu
Seu Filho ? Será que continuamos esquecidos
De que a vida terrena é efémera
E que só no Além seremos redimidos ?
 
 
Porquê sermos ingratos
Para Quem nos quis livrar de todo o mal ?
Saibamos eternamente  agradecer
O dia inesquecível do Natal.
 
 
Aníbal José de Matos
Natal de 2000

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

POESIA

6 4 0 0 0
 
 
 "POESIA", este vosso blogue criado em 18 de novembro de 2008, registou hoje a presença do visitante 64 000, um número que penso ser considerável levando em linha de conta as caraterísticas deste tipo de expressão, que nem todos apreciam, sendo por demais conhecida a noção de que se trata do parente pobre da literatura num país que teve como expoente máximo Luís de Camões.
O meu agradecimento muito sincero a quantos continuam a dispensar a sua atenção a este formato cultural.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Um poema para hoje


Heras

 
A derrocada levou consigo as heras
Que escorriam pelo tronco
Da árvore do entardecer.
O verde da floresta
Encobriu o brilho dos teus olhos
Que transmitiam ternura.

 
Mas na amálgama das folhas
Derrubadas pelo outono,
Ainda surge o encanto do teu rosto.
Só que as tuas mãos vazias
Transmitem tão somente
Um mundo de mistério a desvendar. 

 
Aníbal José de Matos – Figueira da Foz - Portugal (Dezembro de 2012)

 

 

 

 
 
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