quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Um poema para hoje


No dia dos teus anos

 

 

Silêncio.

Calem-se as gargantas,

Sufoquem os tremores da alvorada.

Deixem nascer o dia,

Deixem florescer a Primavera,

Que o dia dos teus anos seja o dealbar de nova era.

 

Silêncio.

Por um breve instante deixem que se ergam

Bem lá do fundo ou do alto não sei donde

As almas que se reveem no dia dos teus anos

Contemplando o luzir do teu olhar

Ao raiar da flor do teu encanto

 

Silêncio

Por um momento deixem que não ria

Que solenize no teu aniversário

Os primeiros passos duma aurora

Que desponta para uma eternidade

Bordada de mil desejos

 

No dia dos teus anos

Que nasças outra vez para que vivas

A vida que sonhaste.

Sorri agora. Olvida por instantes

As agruras que certamente não mereceste.

A vida talvez mereça ser vivida.
 
Aníbal José de Matos (Figueira da Foz - Portugal)

 

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Um poema para hoje


Diz-me quem és

 

Quem transporta a tua alma
E lhe empresta essa forma opaca
Com que tentas iludir-me
E desprezas com a força
Que vem sei lá de onde?

Quem és tu que eu não conheço
Nem mora no álbum das memórias
Que guardo religiosamente?

 Será que pretendes ser a minha sombra
Para me perseguires incólume
E sacares do sabre como ser inimputável?

 Não sei quem és, mas estou à tua espera!

 
Aníbal José de Matos (Figueira da Foz - Portugal)

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Um poema para hoje

Ser poeta
 
A solidão traz consigo
esta sensação pateta
de não saber o que digo
e de me julgar poeta!
 
Aníbal José de Matos - Figueira da Foz - Portugal  (1996)

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Um poema para hoje

 

Custa-me ver o caminho
sem a luz dos olhos teus
porque esta luz é carinho
da luz que tenho nos meus.

Isidoro Pires (Poeta de Tavira)
Judeu Errante
.
Encontrar um novo rumo,
percorrer um novo trilho,
todo ele envolto em fumo
sem que de ti veja o brilho,
é penoso, é desgastante,
custa-me ver o caminho,
sinto-me judeu errante,
sou um pássaro sem ter ninho.
 
 
Sou um navio perdido
sem a luz dos olhos teus,
farol que anda escondido
a fugir dos olhos meus.
Ele que era meu guia,
horizonte azul celeste,
e a minha noite era o dia
pela luz que então me deste.
 
 
Vagueio triste, sozinho,
num mundo que não conheço,
porque esta luz é carinho
sem a qual sei que pereço.
Correm os dias a fio,
penosos e sempre iguais,
já não choro, já não rio,
e já nem sei onde vais.
 
 
Eras tudo quanto queria,
meu caminho era o teu passo,
porque em ti eu tudo via
e sem ti já nada faço.
Banhava-me a luz dos olhos
como tombada dos céus,
era amor caído aos molhos
da luz que tenho nos meus.
 
 
Aníbal José de Matos - Figueira da Foz - Portugal

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Um poema para hoje


Terra de minha Mãe

 
Terra, minha terra, doce enlevo
Que meu coração fecundas de saudade,
Os instantes felizes que te devo
Irão comigo até à eternidade.

 
Minha Mãe, meus amigos, teus encantos,
Quadros da vida que não diviso mais!
E quanto de esperança teus encantos
Tornavam meus sonhos tão reais.

 
Agora que o tempo transformou
Meus ideais, e tudo se tornou
Apenas na saudade que ela encerra,

 
A Deus apenas uma coisa peço:
Que permita um dia o meu regresso
Àquela que foi sempre a nossa Terra.

 
Aníbal José de Matos (1975)

sábado, 23 de março de 2013

Hoje, em Leiria

V Antologia de Poetas Lusófonos
 


Hoje, sábado, pelas 15 horas, vai ser apresentada no Museu de Imagem em Movimento, em Leiria, a V Antologia de Poetas Lusófonos, uma iniciativa da Folheto Edições.

Haverá um momento de poesia e visita às exposições “(Re)Conhecer Leiria – meados do século XX” (organização do Município de Leiria e Arquivo Distrital) e “Paralelo 30 – Fotografias sobre a China” (organização da. Embaixada da China).

A cerimónia terminará com um Porto de Honra.

No total na V Antologia são 147 Poetas, oriundos de 15 países. São quase 500 poetas de mais de duas dezenas de países, nas cinco antologias.

Para mim, é uma honra mais uma vez ter sido um dos seleccionados para figurar na Antologia.

AJdeMatos

sábado, 9 de março de 2013

Um poema para hoje


Gota de água

Tu és a gota de água
que brota de fonte imaginária
e desliza entre meus lábios sequiosos.

És o fruto por colher
no verde da descoberta.

És a verdura escondida
num seio envergonhado.

Liberta-te e foge do torpor
que te algema
a ânsia mal contida da entrega.

A neve cobre de alvura o teu rosto
mas não esconde o negrume
duma alma sem força para voar.

E a gota de água acaba por secar
perdendo-se
nas sombras da inquietude das palavras.

Aníbal José de Matos (Figueira da Foz - Portugal) 9 de março de 2013
 
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