quinta-feira, 26 de março de 2009

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Fernando Pessoa


Fotos de Fernando Pessoa
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Poema: O MOSTRENGO
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O mostrengo que está no fim do mar
Na noite de breu ergueu-se a voar;
À roda da nau voou três vezes,
Voou três vezes a chiar,
E disse: "Quem é que ousou entrar
Nas minhas cavernas que não desvendo,
Meus tectos negros do fim do mundo?"
E o homem do leme disse, tremendo:
"El-Rei D. João Segundo!"
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De quem são as velas onde me roço?
De quem as quilhas que vejo e ouço?"
Disse o mostrengo, e rodou três vezes,
Três vezes rodou imundo e grosso,
"Quem vem poder o que só eu posso,
Que moro onde nunca ninguém me visse
E escorro os medos do mar sem fundo?"
E o homem do leme tremeu, e disse:
"El-Rei D. João Segundo!"
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Três vezes do leme as mâos ergueu,
Três vezes ao leme as reprendeu,
E disse ao fim de tremer três vezes:
"Aqui ao leme sou mais do que eu:
Sou um povo que quer o mar que é teu;
E mais que o mostrengo, que me a alma teme
E roda nas trevas do fim do mundo,
Manda a vontade, que me ate ao leme,
De El-Rei D. João Segundo!".
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Fernando Pessoa, poeta, de seu nome completo Fernando António Nogueira Pessoa, nascido a 13 de Junho de 1888, em Lisboa, e falecido a 30 de Novembro de 1935.

domingo, 22 de março de 2009

Isaura Matias de Andrade

Isaura Matias de Andrade. Foto de 1953, oferecida pela poetisa a meu Pai, Aníbal Correia de Matos.
Foi uma colaboradora assídua de O FIGUEIRENSE e DEFESA DA BEIRA (ambos jornais fundados por meu tio, Joaquim Gomes d'Almeida). Autora de diversos livros de poemas, dera natural de Sinde - Tábua (Beira Alta) e faleceu em Buarcos - Figueira da Foz.
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A ventura de escrever-te
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Escrever-te é falar a sós contigo.
Ter entre as tuas mãos a minha mão;
Dar largas ao meu pobre coração
Encostada ao teu peito, doce Amigo.
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Escrever-te – quimera que eu bendigo,
Lenitivo fictício da paixão –
E ir a Deus, humilde, em confissão
Chegar ao Céu e ver-te lá comigo.
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Escrever-te é sentir-me nos teus braços
Confiada na pureza dos abraços.
Num arroubo de beijos virginais!...

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Escrever-te … Afinal o meu enlevo
E a ânsia de esquecer que não te escrevo,
Que a mim própria me ilude e nada mais.



Porque hoje é domingo

Existem apenas duas maneiras de ver a vida. Uma é pensar que não existem milagres e a outra é pensar que tudo é um milagre.
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Albert Einstein

sábado, 21 de março de 2009

Dia Mundial da Poesia

O Dia Mundial da Poesia foi instituído na 30ª Conferência Geral da Unesco, em 2000.
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Nesta data, presto a minha humilde mas sincera homenagem ao poeta Eugénio de Castro, publicando o seu poema
FRUTO PROIBIDO
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Sonhando-te, num sonho amargo e doce,
Eis que desnuda e virginal te vejo,
Ave, rosa e mulher, perfume e harpejo,
Feliz de mim, se eu teu amante fosse!
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Basta que a tua sombra por mim roce
Para que eu fulja num solar lampejo!
E se num sonho enganador te beijo,
Como um rei, me coroa a tua posse!
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Sonhos... são sonhos! qualquer brisa os leva,
Deixando atrás só desconsolo e treva!
Dos teus beijos eu tenho sede e fome,
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Mas sem nunca os provar, por meus pecados
Contento-me em beijar teu lindo nome,
Se o digo, ébrio de amor, de olhos fechados...

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

A sesta de Nero

Fulge de luz banhado, esplendido e sumptuoso,
O palacio imperial de porphiro luzente
E marmore da Laconia. O tecto caprichoso
Mostra, em prata incrustrado, o nacar do Oriente.
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Nero no tóro eburneo estende-se indolente...
Gemmas em profusão do estragulo custoso
De ouro bordado vêm-se. O olhar deslumbra, ardente,
Da purpura da Thracia o brilho esplendoroso.
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Formosa ancilla canta. A aurilavrada lyra
Em suas mãos soluça. Os ares perfumando,
Arde a myrrha da Arabia em rescendente pyra.
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Fórmas quebram, dansando, escravas em choréa...
E Nero dorme e sonha, a fronte reclinando
Nos alvos seios nús da lubrica Poppéa.
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(Foi respeitada a ortografia da época)

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Olavo Bilac, do livro “POESIAS”, publicado em 1921 pela Livraria Francisco Alves, na Rua do Ouvidor, no Rio de Janeiro (Brasil). A oferta da obra que possuo, foi feita pela Livraria Fonseca, de Maceió (Brasil). Este foi o primeiro poema publicado por Bilac.
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Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac nasceu no Rio de Janeiro em 1865, filho de Delfina de Paula e Brás Martins dos Guimarães, médico, que na altura do nascimento do filho era cirurgião do exército brasileiro, servindo na Paraguai.
Depois dos primeiros estudos no Colégio São Francisco de Paula, Olavo Bilac iniciou em 1880 o curso de Medicina (que interrompeu) e o curso de Direito em 1887.
Em 1884 publicou o seu primeiro poema na imprensa, na “Gazeta de Notícias” (jornal carioca) facto que representava toda a glória possível para um candidato a poeta. Era o soneto “A sesta de Nero”, que foi incluído mais tarde no seu primeiro livro “Poesias”, editado em 1888.
Em 1898 foi nomeado inspector do ensino público do Rio de Janeiro.
Reconhecido como grande poeta, tornou-se secretário da Conferência Pan Americana do Rio de Janeiro, em 1906, e secretário do prefeito do Distrito Federal em 1907.
Olavo Bilac viajou à Argentina integrando a comitiva do presidente Campos Sales e foi várias vezes à Europa. Escreveu em quase todas as revistas e jornais importantes do seu tempo e, em 1907, foi eleito “Príncipe dos Poetas Brasileiros”.
Participante activo e requisitado da vida brasileira (e em particular da carioca), Bilac defendia fervorosamente a abolição da escravatura e os ideais republicanos. Jornalista de oposição ao governo de Floriano Peixoto, foi perseguido e chegou a ser preso. Mais tarde, quando solto, exilou-se voluntariamente durante algum tempo em Minas Gerais. Bilac viveu de perto grandes acontecimentos e campanhas: a fundação da Academia Brasileira de Letras (em 1896) de que foi membro fundador, as campanhas cívicas pela instrução e pelo serviço militar obrigatório (iniciadas em 1915) e a fundação da Liga de Defesa Nacional (em 1916), campanhas estas que o levaram a percorrer o Brasil em defesa e propagação dessas ideias.
Ao morrer, em 1918, o seu enterro foi acompanhado por uma enorme multidão
As homenagens póstumas que lhe prestaram, a sua constante evocação em eventos cívicos e a sua presença na produção cultural mais contemporânea sublinham a importância de Bilac para a compreensão da cultura brasileira.
Quando Bilac nasceu, estava acesa a Guerra do Paraguai e quando morreu, morria também a primeira Guerra Mundial.
Olavo Bilac foi uma das mais ricas personalidades da fascinante “bellex époque” à brasileira.
Foi poeta boémio, jornalista polémico, cronista, redactor de anúncios e autor de versos satíricos. Bateu-se em duelos, foi abolicionista, republicano e antiflorianista. Autor marcado pelo extremo rigor na linguagem e na forma, os seus sonetos são compostos em versos decassílabos perfeitos.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Fraternidade

O homem busca, insistentemente,
A paz perdida num remoto dia.
Mas é em vão; e cada vez mais sente
A sua via inútil e vazia.
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Ainda não quis ver, sempre descrente,
Que no servir e dar é que se cria
A fonte donde milagrosamente
Brota o amor, a paz e a alegria.
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Procurar ver no próximo um irmão,
Servir e amar com todo o coração,
Ver sempre o lado bom das coisas más,
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Só nesse abraço de fraternidade,
A envolver enfim a Humanidade,
Pode encontrar a desejada paz.
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Maria Teresa Biscaia (figueirense)
Nos 75 anos do Rotary Club da Figueira da Foz - 23 de Fevereiro de 1980
 
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