sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Um poema para hoje


Heras

 
A derrocada levou consigo as heras
Que escorriam pelo tronco
Da árvore do entardecer.
O verde da floresta
Encobriu o brilho dos teus olhos
Que transmitiam ternura.

 
Mas na amálgama das folhas
Derrubadas pelo outono,
Ainda surge o encanto do teu rosto.
Só que as tuas mãos vazias
Transmitem tão somente
Um mundo de mistério a desvendar. 

 
Aníbal José de Matos – Figueira da Foz - Portugal (Dezembro de 2012)

 

 

 

 

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Um poema para hoje


Inútil
 
Eu queria ser mais alto do que as ondas
Onde vagueia a sede de desejo
Com que rasgas o azul do meu tormento.
Mas sei que é inútil a minha luta
Porque foges entre o verde
Que transforma a tua silhueta
E esconde de mim o teu sorriso.
 
Diz-me a razão por que percorres
Essa rota desenhada pelo sol
Que me cega, consome e traz-me dor.
Se não me queres é porque a hora
Em que podia dar-te amor
É tardia e as nuvens não demoram a chegar.
 
Aníbal José de Matos (Figueira da Foz - Portugal)

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Poesia

"Visitas" ao bloco operatório de uma clínica de Coimbra, agravada com uma dolorosa tendinite, têm-me impedido de dar a habitual continuidade a POESIA.
Se Deus quiser, dentro em breve retomarei o trabalho que fui obrigado a interromper.
Obrigado pelo apoio que muitos amigos me têm dado nesta situação.
Até já.
Aníbal José deMatos

domingo, 21 de outubro de 2012

Um poema para hoje


Demora

Com a porta entreaberta, calmamente
Esperei por ti, mas o momento
De te abraçar doce e ternamente
Quedou-se na ilusão como um tormento.

Ainda sonhei que de mansinho
No decorrer da noite já fechada
Viesse até mim o teu carinho,
Mas tudo se desfez num triste nada.

O tempo não perdoa e vai passando,
E a alma não resiste, vai penando,
Porque a noite é longa, e a esperança

Por mais que se resista, por mais forte
Que seja na procura desse norte,
Por muito que se queira, também cansa.

 
Aníbal José de Matos (Figueira da Foz - Portugal - 21 de outubro de 2012)

 

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Um poema para hoje

Pesadelo
 
No declive da noite rasgam-se alvoradas,
E nas enseadas do leito descansam os feitiços
Testemunhas de dores incontroláveis.
O sonho entrelaça-se na mente
Da imensidão de odores sem rumo.
 
É o momento da dor e da agonia
Que espreitam em correntes de luz
A esperança do erguer sem sombras.
De manhã contornam-se as esquinas
Dum dia que apagou vésperas de destino.
 
Aníbal José de Matos (Figueira da Foz – Portugal)

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Um poema para hoje

Abismo
Se as escarpas da vida nos conduzem ao abismo,
As escadas do amor levam-nos a Deus.
E se o infinito é uma incógnita,
O azul do céu é uma porta de esplendor.
E se as aves voam entre as estrelas,
O meu amor voa entre as tuas mãos.
O ocaso é o rumo dos meus passos.
O desconhecido mora no temor
De mil portas apenas com uma chave
Guardada na alma de quem ora.
 
Aníbal José de Matos – Outubro de 2012 - (Figueira da Foz – Portugal)

sábado, 6 de outubro de 2012

Um poema para hoje


Hoje não há luar

 

Os frutos silvestres que me deste

Numa noite luarenta de Janeiro,

Tiveram o sabor das madrugadas.

Da tua boca saltaram rosas

Que traziam o perfume

De amoras colhidas na noite das mil cores.

E as estrelas sorriram pelo prazer

Que me ofereceste.

 

Hoje não há luar e a escuridão

Não deixa ver silvas nem roseiras.

 

Aníbal José de Matos (Figueira da Foz – Portugal)

 
 
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