domingo, 21 de outubro de 2012

Um poema para hoje


Demora

Com a porta entreaberta, calmamente
Esperei por ti, mas o momento
De te abraçar doce e ternamente
Quedou-se na ilusão como um tormento.

Ainda sonhei que de mansinho
No decorrer da noite já fechada
Viesse até mim o teu carinho,
Mas tudo se desfez num triste nada.

O tempo não perdoa e vai passando,
E a alma não resiste, vai penando,
Porque a noite é longa, e a esperança

Por mais que se resista, por mais forte
Que seja na procura desse norte,
Por muito que se queira, também cansa.

 
Aníbal José de Matos (Figueira da Foz - Portugal - 21 de outubro de 2012)

 

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Um poema para hoje

Pesadelo
 
No declive da noite rasgam-se alvoradas,
E nas enseadas do leito descansam os feitiços
Testemunhas de dores incontroláveis.
O sonho entrelaça-se na mente
Da imensidão de odores sem rumo.
 
É o momento da dor e da agonia
Que espreitam em correntes de luz
A esperança do erguer sem sombras.
De manhã contornam-se as esquinas
Dum dia que apagou vésperas de destino.
 
Aníbal José de Matos (Figueira da Foz – Portugal)

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Um poema para hoje

Abismo
Se as escarpas da vida nos conduzem ao abismo,
As escadas do amor levam-nos a Deus.
E se o infinito é uma incógnita,
O azul do céu é uma porta de esplendor.
E se as aves voam entre as estrelas,
O meu amor voa entre as tuas mãos.
O ocaso é o rumo dos meus passos.
O desconhecido mora no temor
De mil portas apenas com uma chave
Guardada na alma de quem ora.
 
Aníbal José de Matos – Outubro de 2012 - (Figueira da Foz – Portugal)

sábado, 6 de outubro de 2012

Um poema para hoje


Hoje não há luar

 

Os frutos silvestres que me deste

Numa noite luarenta de Janeiro,

Tiveram o sabor das madrugadas.

Da tua boca saltaram rosas

Que traziam o perfume

De amoras colhidas na noite das mil cores.

E as estrelas sorriram pelo prazer

Que me ofereceste.

 

Hoje não há luar e a escuridão

Não deixa ver silvas nem roseiras.

 

Aníbal José de Matos (Figueira da Foz – Portugal)

 

sábado, 8 de setembro de 2012

Um poema para hoje


Se não rainha, princesa!

 

Não nasceu em terras de sua Majestade,

O primeiro olhar quedou-se entre arvoredos

Onde a história ainda decorre

A contar feitos valorosos.

Beira Alta é o seu mundo,

Terra de Besteiros o seu berço,

A poesia o seu altar!

 

Não é de Lencastre nem rainha,

Se bem que Filipa de seu nome.

Princesa sim entre os poetas,

Porque suas armas são os versos.

Canta a natureza, os seus valores,

Da alma transpira sua lira

Que sofre amarguras escondidas.

 

De letras faz a vida,

Constrói a harmonia das palavras

Em ternura e lágrimas que saltitam

Entre escombros que tenta transformar

Em sorrisos cativantes.

É princesa verdejante

Num jardim que não vive só de sombras.

 

Aníbal José de Matos – Tondela, 5 de Setembro de 2012

 

 

 

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Um poema para hoje


Ao tom dela

 

Só, nesta vale onde em tempos

Ao tom dela sangrentos combates se travaram,

Ouço o eco da tua voz

Oriunda lá dos cantos do Casal

Onde esta terra e tu viram a luz do mundo.

 

Mãe,

Assim como preencheste a minha vida

Dando-me o ser,

Aqui, entre besteiros, não a guerra mas sim o teu amor,

Me contemplam, oferecendo-me carinho e paz.

 

Já não estou tão só,

Porque te ouço e diviso os teus passos

Em direcção à minha vida.

Mãe, obrigado por me acompanhares

Na jornada que um dia me levará de novo ao teu seio.

 

E voltarei aos teus braços,

Gritando-te carinhosamente:

Mãe, nunca te esqueci,

E também direi bem alto

Que bom pisar a terra onde nasceste.

 

Aníbal José de Matos, Tondela, 2 de Setembro de 2012.

 

 

 

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Um poema para hoje

Rosa Vermelhas

Por entre as minhas mãos perpassam rosas,
Flores colhidas de insólito jardim,
Ramos trazidos por outras carinhosas
De alguém, sei se mesmo para mim!

E recordo tantas rosas que já vi,
Tantas flores em caminhos que trilhei,
Frescos jardins que na vida percorri,
Qual deles o mais belo que pisei!

Mas as rosas que vejo entre meus dedos,
Pétalas mil pejadas de segredos
Trocados nos jardins donde vieram,

São das flores mais lindas que encontrei,
Rosas vermelhas dum sonho que sonhei!
Deus abençoe as mãos que m'as trouxeram.

Aníbal José de Matos (Figueira da Foz - Portugal)
 
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