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Primavera, eu te saúdoEi-la, estação bonita e ansiadaCom hinos de louvor à Natureza!Ei-la, dengosa e oferecida,Motivando amores e sonhos d'ouro!Ei-la, rejuvenescida e bela,Pulsando vida, envolta em pétalas!Ei-la, primavera suave e apetecida,Mensageira do sol e da ternura!Ei-la, sadia e desejada,Cobrindo nosso peito de prazer,Renovando o sabor de mais um dia!Eu te saúdo, bem-vinda primavera.Aníbal José de Matos (Figueira da Foz - Portugal) - 1988
TRILOGIAAranha - abelha - formiga,trabalho, canseira, fadiga,lenda, ilusão ou verdade,sorte, desgraça, uma vidana teia que ateia a cidade...Aranha que mata, que vive, que morre,que trilha o caminho segurocuidando atenta o futurobem duro!Aranha - abelha - formiga,trabalho, canseira, fadiga,a sorte, o amor e o pão,que o mel transforma em condão!Zangãos, obreiras, rainhas, vitórias fechadas, rotundas,belezas em terras imundas,fecundas!Aranha - abelha - formiga, trabalho, canseira, fadiga,inverno escondida, verão descoberta,luta heróica por sorte tamanha...Não ao descanso, olhos alerta,formiga que és e o mundo admira.Que a vida é bem dura a si se convence,dá conta do fado que bem lhe pertencemas vence.Aníbal José de Matos - Figueira da Foz - Portugal (1965)
A UMA CRIANÇATu que és vida!Que brincas e que ris,E a tudo que é nada dizes nada!Tu que saltas e que chorasE ainda ris!Que lesto corres e saltitas,Que colhes borboletas e as soltasP'ra que vivam!Que pulas de flor para florEm busca das abelhas que são vida!Que és alheio à dor e à incerteza,... VIVE!Aníbal José de Matos (Figueira da Foz - Portugal) 1973
Olhos CastanhosInvade-me o vazio,A nostalgia traz consigo o cinzentoDas manhãs envoltas em silêncio.Os dias arrastam-seNo limiar das noites doentias...Apenas uns olhos castanhos,Refletindo a imagem da saudade,Me amparam e dão coragem p'ra seguir.Aníbal José de Matos (Figueira da Foz - Portugal) - 1991
SombrasEm meu redor figuras grotescas bailam!Não lhes diviso os contornosMas visões em reflexos (esquecidas).Passado que rodopia, confuso (mas latente?)E a minha mente estremece...Sei que sou eu, sei que é a vidaQue volteia em ondas que olvideiE transtornam o próprio sentido de equilíbrio.Arrastam-se figuras de gente que passouCom significado na minha realidade!É sonho estranho, é pesadelo,Será o reviver de velhos rumosQue perpassam em crenças e ternuras!É cortejo de súplicas e de dores,É regresso difuso, em negativo!Instantes ridentes se entrelaçamNas figuras grotescas que revolvemMeu ego, minha alma e minha esperança!Sombras que abraçam,Confundem e magoam...Será a terra a reclamar-meE o céu a repelir a minha Fé?É o grito de perdão da minha vidaOu o sol a abandonar-me no ocaso?Ou será o estertor da minha alma em sobressalto?Aníbal José de Matos (Figueira da Foz - Portugal) - "Conflitos" (1992)
ApeloBetoneiras, guindastes, parapeitosem janelas, nesgas descuidadas...Escadas erradas, de serviço, sol que não dominaa nuvem atrevida que não passa!Paralelepípedos destroças de pés que vão descalços,feridos, contorcidos, doloridos,fugidos à polícia que os persegueagarrada à postura que não permite pés despidos de sapatos...mas não contém uma cláusula de auxílio p'r'ós calçar...Betoneiras que amassam o cimentoda cidade perdida no abismode milhões de vícios, de drogas, de negra podridão...Guindastes que sobem às alturasdas misérias que todos pressentimos!É proibido cuspir para o chão... onde até os que proíbem cospem mesmo...É preciso trabalho, projetem-se organigramasque controlem betoneirase conduzam os guindastes às alturas ideais...Que calcem os descalçose eduquem os que conspurcam o chão desta cidade!Aníbal José de Matos (Figueira da Foz - Portugal), no livro ESPERANÇAS

Manhã de PazCurvam-se as almasE o espírito rola sobre nós.O Pastor torna mais lentoO bater dos coraçõesE a oração leva-nos ao alto.Corre o tempo ternamenteSem que nos apresse a saída.O relógio não tem horasPorque o templo nos aconchega.Neste recolhimentoInvade-nos um manto imenso de conforto.É um domingo diferente.Percorre-nos uma acalmiaComo se a pomba da paz voasse sobre nós,Abrindo as suas asasPara nos envolver num amplexo longo e terno.É que Deus está presente.Aníbal José de Matos (Figueira da Foz – Portugal) Fevereiro de 2012
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