Terça-feira, 20 de Março de 2012

Um poema para hoje

Primavera, eu te saúdo

Ei-la, estação bonita e ansiada
Com hinos de louvor à Natureza!

Ei-la, dengosa e oferecida,
Motivando amores e sonhos d'ouro!

Ei-la, rejuvenescida e bela,
Pulsando vida, envolta em pétalas!

Ei-la, primavera suave e apetecida,
Mensageira do sol e da ternura!

Ei-la, sadia e desejada,
Cobrindo nosso peito de prazer,
Renovando o sabor de mais um dia!

Eu te saúdo, bem-vinda primavera.

Aníbal José de Matos (Figueira da Foz - Portugal) - 1988

Domingo, 18 de Março de 2012

Um poema para hoje



TRILOGIA

Aranha - abelha - formiga,
trabalho, canseira, fadiga,
lenda, ilusão ou verdade,
sorte, desgraça, uma vida
na teia que ateia a cidade...
Aranha que mata, que vive, que morre,
que trilha o caminho seguro
cuidando atenta o futuro
bem duro!

Aranha - abelha - formiga,
trabalho, canseira, fadiga,
a sorte, o amor e o pão,
que o mel transforma em condão!
Zangãos, obreiras, rainhas,
vitórias fechadas, rotundas,
belezas em terras imundas,
fecundas!

Aranha - abelha - formiga,
trabalho, canseira, fadiga,
inverno escondida, verão descoberta,
luta heróica por sorte tamanha...
Não ao descanso, olhos alerta,
formiga que és e o mundo admira.
Que a vida é bem dura a si se convence,
dá conta do fado que bem lhe pertence
mas vence.

Aníbal José de Matos - Figueira da Foz - Portugal (1965)

Quinta-feira, 15 de Março de 2012

Um poema para hoje


A UMA CRIANÇA

Tu que és vida!
Que brincas e que ris,
E a tudo que é nada dizes nada!
Tu que saltas e que choras
E ainda ris!
Que lesto corres e saltitas,
Que colhes borboletas e as soltas
P'ra que vivam!

Que pulas de flor para flor
Em busca das abelhas que são vida!

Que és alheio à dor e à incerteza,
... VIVE!

Aníbal José de Matos (Figueira da Foz - Portugal) 1973

Sexta-feira, 9 de Março de 2012

Um poema para hoje


Olhos Castanhos

Invade-me o vazio,
A nostalgia traz consigo o cinzento
Das manhãs envoltas em silêncio.

Os dias arrastam-se
No limiar das noites doentias...

Apenas uns olhos castanhos,
Refletindo a imagem da saudade,
Me amparam e dão coragem p'ra seguir.

Aníbal José de Matos (Figueira da Foz - Portugal) - 1991

Terça-feira, 6 de Março de 2012

Um poema para hoje


Sombras

Em meu redor figuras grotescas bailam!
Não lhes diviso os contornos
Mas visões em reflexos (esquecidas).
Passado que rodopia, confuso (mas latente?)
E a minha mente estremece...

Sei que sou eu, sei que é a vida
Que volteia em ondas que olvidei
E transtornam o próprio sentido de equilíbrio.
Arrastam-se figuras de gente que passou
Com significado na minha realidade!

É sonho estranho, é pesadelo,
Será o reviver de velhos rumos
Que perpassam em crenças e ternuras!
É cortejo de súplicas e de dores,
É regresso difuso, em negativo!

Instantes ridentes se entrelaçam
Nas figuras grotescas que revolvem
Meu ego, minha alma e minha esperança!
Sombras que abraçam,
Confundem e magoam...

Será a terra a reclamar-me
E o céu a repelir a minha Fé?
É o grito de perdão da minha vida
Ou o sol a abandonar-me no ocaso?

Ou será o estertor da minha alma em sobressalto?

Aníbal José de Matos (Figueira da Foz - Portugal) - "Conflitos" (1992)

Sábado, 3 de Março de 2012

Um poema para hoje


Apelo

Betoneiras, guindastes, parapeitos
em janelas, nesgas descuidadas...
Escadas erradas, de serviço, sol que não domina
a nuvem atrevida que não passa!
Paralelepípedos destroças de pés que vão descalços,
feridos, contorcidos, doloridos,
fugidos à polícia que os persegue
agarrada à postura que não permite pés despidos de sapatos...
mas não contém uma cláusula de auxílio p'r'ós calçar...

Betoneiras que amassam o cimento
da cidade perdida no abismo
de milhões de vícios, de drogas, de negra podridão...

Guindastes que sobem às alturas
das misérias que todos pressentimos!

É proibido cuspir para o chão
... onde até os que proíbem cospem mesmo...
É preciso trabalho, projetem-se organigramas
que controlem betoneiras
e conduzam os guindastes às alturas ideais...

Que calcem os descalços
e eduquem os que conspurcam o chão desta cidade!

Aníbal José de Matos (Figueira da Foz - Portugal), no livro ESPERANÇAS

Segunda-feira, 27 de Fevereiro de 2012

Um poema para hoje


Manhã de Paz


Curvam-se as almas
E o espírito rola sobre nós.
O Pastor torna mais lento
O bater dos corações
E a oração leva-nos ao alto.

Corre o tempo ternamente
Sem que nos apresse a saída.
O relógio não tem horas
Porque o templo nos aconchega.

Neste recolhimento
Invade-nos um manto imenso de conforto.

É um domingo diferente.
Percorre-nos uma acalmia
Como se a pomba da paz voasse sobre nós,
Abrindo as suas asas
Para nos envolver num amplexo longo e terno.

É que Deus está presente.

Aníbal José de Matos (Figueira da Foz – Portugal) Fevereiro de 2012



 

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