segunda-feira, 13 de setembro de 2010


O cão e o lobo

Conta-se que certo dia
Velho lobo desnutrido
Cambaleando buscava
Animal doente ou ferido.

Eis que vê assomar
Cão luzidio e lustroso
E impetuosamente se vê
Lutando com ar airoso.

Logo a prudência lhe diz:
- Vê se és mais cuidadoso
Pois ó insigne caçador,
Já não és mais temeroso.

Largos elogios se pôs
Ao cão então a tecer
Que levado pela vaidade
Sua vida fez saber.

- Amigo, fez-me a ventura
Não ter na vida cuidados
Nunca busco meus manjares
Pois mos dão bem variados.


Estou gordo e mui anafado
Vivo vida aprimorada
Meus congéneres nunca o dizem
Mas eu sei que é cobiçada.

Se queres viver nédio e gordo
E vida aprazível ter
Deixa estas íngremes fragas
E vem connosco viver.

-Diz-me que faço a teu dono
Para ter tais mordomias
Atalha o lobo espumando
Antevendo as iguarias.

-Pouca coisa - lhe atalha o cão
Adular os seus amigos
Lamber também sua mão
E latir aos inimigos

Chorando de emoção
Já corre o lobo esfaimado
Mas ao descer a encosta
Nota o pescoço esfolado.

- Que é isso companheiro
Quem te feriu tão gravemente
- Não é nada, atalha o cão
É da corrente somente.

-Corrente! Mas que corrente!?
Lhe diz o lobo surpreso
Então isso quer dizer
Que tu ficas às vezes preso!?

- Apenas durante o dia
Para não assustar ninguém
À noite logo me soltam
Que mal é que isso tem!?

- Pois então não quero ir
Não quero tal sujeição
Antes me quero faminto
Do que em tal castração.

Lobo e cão logo se foram
Pensando pelo caminho
Afinal não sou feliz
Muito menos meu vizinho.

Maria Almeida - Porto

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