Escarpas de estranho pesadelo rochedos intransponíveis do receio areias movediças da nossa indecisão miragens de esperança nos olhares catadupas de sorrisos sem fulgor almas receosas em busca de perdão e de carinho!
Pedras tombadas de amargura castelos de areia de promessas rugidos de longo desespero na senda de caminhos prometidos!
Um mundo louco a demolir uma obra de amor a edificar por nossos braços e nosso corações para que as crianças possam ver a vida por vidros cor-de-rosa!
Aníbal José de Matos - Figueira da Foz (Portugal) 1979
Aranha - abelha - formiga, trabalho, canseira, fadiga, lenda, ilusão ou verdade, sorte, desgraça, uma vida na teia que ateia a cidade... Aranha que mata, que vive, que morre, que trilha o caminho seguro cuidando atenta o futuro bem duro!
Aranha - abelha - formiga, trabalho, canseira, fadiga, a sorte, o amor e o pão, que o mel transforma em condão! Zangãos, obreiras, rainhas, vitórias fechadas, rotundas, belezas em terras imundas, fecundas!
Aranha - abelha - formiga, trabalho, canseira, fadiga, inverno escondida, verão descoberta, luta heróica por sorte tamanha... Não ao descanso, olhos alerta, formiga que és e o mundo admira. Que a vida é bem dura a si se convence, dá conta do fado que bem lhe pertence mas vence.
Aníbal José de Matos - Figueira da Foz - Portugal (1965)
Tu que és vida! Que brincas e que ris, E a tudo que é nada dizes nada! Tu que saltas e que choras E ainda ris! Que lesto corres e saltitas, Que colhes borboletas e as soltas P'ra que vivam!
Que pulas de flor para flor Em busca das abelhas que são vida!
Que és alheio à dor e à incerteza, ... VIVE!
Aníbal José de Matos (Figueira da Foz - Portugal) 1973
Em meu redor figuras grotescas bailam! Não lhes diviso os contornos Mas visões em reflexos (esquecidas). Passado que rodopia, confuso (mas latente?) E a minha mente estremece...
Sei que sou eu, sei que é a vida Que volteia em ondas que olvidei E transtornam o próprio sentido de equilíbrio. Arrastam-se figuras de gente que passou Com significado na minha realidade!
É sonho estranho, é pesadelo, Será o reviver de velhos rumos Que perpassam em crenças e ternuras! É cortejo de súplicas e de dores, É regresso difuso, em negativo!
Instantes ridentes se entrelaçam Nas figuras grotescas que revolvem Meu ego, minha alma e minha esperança! Sombras que abraçam, Confundem e magoam...
Será a terra a reclamar-me E o céu a repelir a minha Fé? É o grito de perdão da minha vida Ou o sol a abandonar-me no ocaso?
Ou será o estertor da minha alma em sobressalto?
Aníbal José de Matos (Figueira da Foz - Portugal) - "Conflitos" (1992)
Betoneiras, guindastes, parapeitos em janelas, nesgas descuidadas... Escadas erradas, de serviço, sol que não domina a nuvem atrevida que não passa! Paralelepípedos destroças de pés que vão descalços, feridos, contorcidos, doloridos, fugidos à polícia que os persegue agarrada à postura que não permite pés despidos de sapatos... mas não contém uma cláusula de auxílio p'r'ós calçar...
Betoneiras que amassam o cimento da cidade perdida no abismo de milhões de vícios, de drogas, de negra podridão...
Guindastes que sobem às alturas das misérias que todos pressentimos!
É proibido cuspir para o chão ... onde até os que proíbem cospem mesmo... É preciso trabalho, projetem-se organigramas que controlem betoneiras e conduzam os guindastes às alturas ideais...
Que calcem os descalços e eduquem os que conspurcam o chão desta cidade!
Aníbal José de Matos (Figueira da Foz - Portugal), no livro ESPERANÇAS
Os aplausos
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Quando a luz do palco se apaga
Há silêncio na plateia
esperando-se a longa caminhada
de luz apagada
a voz do palco aclama
a vida que floresce do nada
há a v...
Oi!
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Olá!
O tempo não tem me permitido seguir por aqui. Estou me organizando para
estar de volta em breve.
Por agora, gostaria de divulgar o canal da minha filha...