sábado, 2 de junho de 2012

Um poema para hoje

Leilões de Morte

Lanços da vida, leilões de morte,
destinos controversos que se cruzam,
paixões doentias que atormentam
a existência dos seres abandonados.
Ao som dos passos, ao trautear das musas,
em mui sublime inspiração,
ousamos desvendar frescos horizontes
que podem transformar o próprio norte.

Na ânsia incontida que domina
o bom talento, a firme conceção,
de tudo quanto impera na existência
sem raizes nem falsos alicerces,
eu sou um Eu que nada compreende
mas não recusa assimilar o que lhe mostram,
tentanto erigir a minha ideia,
contrariando mesmo a própria sina.

Lanços de vida, leilões de morte,
fragmentos da sorte que maldigo
ao confiar no giro humano em que milito,
e sobretudo em mim que não conheço,
qual rei a sua corte!

Lanços de vida que são leilões de morte.

Eu quero edificar o meu juizo
bem alto, roçando lá no cume,
sem que pretenda que um só favor concorra
na constante dum lema louco, mas preciso!
Lanços da vida, leilões de morte,
efémeras vogas que vamos contraindo
no dia a dia de exaustivo empenho
na conquista de espaço de tal sorte!

Lutas que são vida, gestos que não mudo
e bailam nos meus olhos, nas minhas próprias mãos,
que vão vivificando uma esperança
e desenham sonhos nos caminhos.
São gestos, são queixumes, são gemidos,
são loucuras de criança já crescida,
sã notas bem pungentes de quem sabe
que afinal nada é nada sem ser tudo.

Aníbal José de Matos - Figueira da Foz - Portugal (do meu livro ESPERANÇAS)

2 comentários:

Gisa disse...

Lanço pela vida.
Um grande bj querido amigo

Aníbal José de Matos disse...

Muito obrigado pelo seu comentário.
Um beijão para si, querida Aniga.

 
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